segunda-feira, 10 de julho de 2017

Duas sabedorias

De águas, de terra e folhas,
já se sabia antigamente.
De teclas, máquinas e coisas,
menos se sabe agora.

O corpo não mudou tanto;
muda sempre o pensamento.
A inquietação de mudar
fez um mundo sobre outro.
Era um mundo de sabedoria já.
É um mundo de sabedoria vã.

Não queremos morrer como pássaro frágil.
Nós queremos chegar fortes na morte.
Cobrindo o mundo natural com nosso asfalto,
vamos completar a corrida sem abalos.

Movimentamos o ciclo com barreiras,
pois é preciso superar sempre.
Não basta ficar de papo pro ar,
a observar o vento, enquanto se respira.
Nosso intento, não sei onde escrito,
é de dominar as lufadas nunca antes vistas.

terça-feira, 27 de junho de 2017

AGT

me olhei de fora
mas não me lembro
o corpo estava em outro lugar

não tenho que explicar
não me viram fugir
as pessoas estavam la•

eu fui sem sair
eu fiquei por mais tempo
do que já desejei 

a memo¶ria e§ coisa pra ficar
mas na¢ quero mais lembrar
daquele branco ta≤ escuro


sábado, 3 de junho de 2017

Observador

Vinte anos atrás,
o adolescente de hoje ainda não o era.
Ele hoje o é,
mas ainda não o sabe.

Hoje sei sobre os testes
aplicados sobre os erros.
Hoje um idiota graduado
esperando erros inéditos.

E observo sem interferir,
pois não sou página de busca.
Não sou confiável pra ensinar.
Sou professor apenas da minha história.