sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Adultos no comando

As crianças usam drogas
O corpo contém a artificialidade
A natureza opera milagres
Acidentes de pura beleza

As crianças assistem
Apoiadas em suas muletas
Só as crianças criam
E as crias repassam o cachimbo

O restante da natureza é fluxo
Para viver basta comer, dormir, amar
As crianças enrolam um cigarro
Num plano para conquistar o mundo

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Minh'alma sem calma

Minh'alma sem calma
já passa das dores do corpo;
preciso de limites,
pois já estou cercado de erros.
Não posso me encher
de coisas que me transbordem.

Minh'alma sem calma
já ignora os meus males feitos.
Já parece endurecida,
e meu corpo não escapa ileso
num mundo já sem terra,
onde os donos se sobrepõem.

Minh'alma sem calma
me parece ser somente humana;
fechada num coldre,
munida de belas balas de prata
que, às vezes, cospe
no inimigo, o próprio lobisomem.





segunda-feira, 25 de julho de 2016

Francamente

A folha de papel não sente;
a pena rasga duramente
com tinta azul
para disfarçar o sangue.

Como alguém que fere
franco com grande erre;
rasga por dentro
para disfarçar o sangue.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Fruto proibido?

Desnuda-lo das folhas,
pegar o fruto proibido,
tirar uma casquinha,
morder a polpa,
plantar a semente do amor
no jardim equivocado...

Ela e eu no paraíso,
testados como no inferno
e uns mil desejos...
Enquanto apenas uma folha,
que me tapa o sexo,
esconde o mundo do mundo. 

Apenas uma mulher e eu
tivemos de encher o mundo
com o sangue da minha carne fraca 
de pessoas defeituosas da mesma família
que nascem querendo comer
antes que o fruto apodreça no paraíso.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Batalha no sonho

Eis a bela que me cobre
dentro de uma vida que nem tenho
numa cama de casal
sou guerreiro suado e ferrenho.

Ela que nem me conhece
que apenas pra mim existe aqui
vive apenas em sonho
na aurora chega a hora de desistir.

Eu que desfaço o meu leito
sem nenhum motivo aparente luto
para chegar mais perto
e jamais encontro tal corpo oculto.

Ela que me prende enlaçado
no longo cabelo de seda suado
ao acordar tenho do lado
de algodão só o lençol surrado.