segunda-feira, 25 de julho de 2016

Francamente

A folha de papel não sente;
a pena rasga duramente
com tinta azul
para disfarçar o sangue.

Como alguém que fere
franco com grande erre;
rasga por dentro
para disfarçar o sangue.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Fruto proibido?

Desnuda-lo das folhas,
pegar o fruto proibido,
tirar uma casquinha,
morder a polpa,
plantar a semente do amor
no jardim equivocado...

Ela e eu no paraíso,
testados como no inferno
e uns mil desejos...
Enquanto apenas uma folha,
que me tapa o sexo,
esconde o mundo do mundo. 

Apenas uma mulher e eu
tivemos de encher o mundo
com o sangue da minha carne fraca 
de pessoas defeituosas da mesma família
que nascem querendo comer
antes que o fruto apodreça no paraíso.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Batalha no sonho

Eis a bela que me cobre
dentro de uma vida que nem tenho
numa cama de casal
sou guerreiro suado e ferrenho.

Ela que nem me conhece
que apenas pra mim existe aqui
vive apenas em sonho
na aurora chega a hora de desistir.

Eu que desfaço o meu leito
sem nenhum motivo aparente luto
para chegar mais perto
e jamais encontro tal corpo oculto.

Ela que me prende enlaçado
no longo cabelo de seda suado
ao acordar tenho do lado
de algodão só o lençol surrado. 

segunda-feira, 27 de junho de 2016

O limite no horizonte

Dura foi a cama que dormi
duro foi o frio que escolhi
e deixei o meu quarto
pra chegar longe

Escolher o de sempre
nem chega a ser escolha
tal riacho que corre liso
sem nem fazer bolha

Escolher o de sempre
nem chega a ser falha
sem tentar sair do rumo
tudo mais sempre calha

Dura foi a trilha de pedra
duro foi o sono na terra
e deixei o meu rastro
naquele horizonte

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Enfeitiçados

Ainda deito a minha cabeça na tua coxa,
pensando entre uma besteira ou outra
que poderíamos ser outros.

Ainda questiono a força que nos puxa,
tal qual o feitiço de alguma bruxa.
Onde estaríamos separados?

Nós muito pouco mesmo escolhemos.
Nós que apenas um ao outro temos;
a força nos tem bem ligados.

E se tentamos nos rebelar, cansamos.
Ao agredir o outro nos machucamos.
A força nos tem enfeitiçados.