quarta-feira, 13 de abril de 2016

Discórdia

Quem discorda sofre mais.
O estabelecido está bem.
Discordar é nadar.
O sistema simplesmente boia.

Quem discorda tem que argumentar.
O estabelecido tem o encosto da cadeira.
Quem discorda apoia as mãos na mesa.
Um apoio inanimado.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Oferta e procura

eles vendem de tudo
mesmo as almas tem um preço
assim escondo a minh'alma
nesta caixa de pouco apelo comercial

eles oferecem de tudo
e cumprem tudo com desculpas
de que o serviço vai ser entregue
enquanto esperamos repletos de vazio

enquanto a caixa se deteriora
cheia de pedras brutas
preciosas e revoltadas
a caixa se enruga
e cada vez que se abre solta um grito

cada vez que me estampam com um preço
eu dou desconto pra quem me aceita como sou

a inflação da minh'alma
nem mesmo infla o meu ego
e eu me fecho pra balanço
pra fugir da Pandora solta no mundo de fora




quinta-feira, 24 de março de 2016

Senhores dos Destinos

ACEITARAM QUE SÃO IMPERFEITOS
PARA CONTINUAREM A LUCRAR
ELES NUNCA PAGAM OS PREÇOS
FAZEM OS LARANJAS BANCAR

ELES ESCULPEM AS SUAS CARREIRAS
EM FORMAS LONGAS E ETERNAS
EM BOLSOS GRANDES AS CARTEIRAS
ABREM PORTAS E PASSAM PERNAS

NUM DISCURSO REPLETO DE CURVAS
ULTRAPASSAM OS LIMITES DO BEM
DESVIAM SAGAZES DAS PERGUNTAS
SEGUINDO A LEI DO TER E DEIXAR SEM

ACHAM QUE NÃO SÃO ASSASSINOS
TIRAR DO OUTRO É APENAS COMPETIR
DE FATO OS SENHORES DOS DESTINOS
ELIMINAM O DIREITO DE COEXISTIR

votaremos só nas virtudes!
os defeitos são votos nulos!
não sabemos das verdades!
corrupção e fraude são chulos? 

sexta-feira, 11 de março de 2016

Vidas úteis

REUSO
REDUZO
ME RECUSO  A METADE GASTAR
RECICLO
REVISITO
O FIM VEM DEPOIS DO FIM QUE SE

nenhuma criança quer morrer
na primeira doença que tiver
e o plástico foi feito pra durar

o mundo PRECISA  DE oportunidade
sem precisar de nenhum milagre
a jarra d'água vira garrafa de vinho
e o pão representa a transformação 
E a vida em outro caminho


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Necrópole

cidade dos mortos
escondendo os nossos
de cruzes eretas
cabisbaixas setas
apontando os ossos

cheia de desabitantes
penados visitantes
de flores em mãos
pra matar nos vãos
cheiros degradantes

crucifixos no prumo
velado supra sumo
num preto básico
disfarce do casco
podre como humo

desnivelados corpos
sem brindar copos
já não mais fingem
já não se tingem
como vivos engôdos