quinta-feira, 24 de março de 2016

Senhores dos Destinos

ACEITARAM QUE SÃO IMPERFEITOS
PARA CONTINUAREM A LUCRAR
ELES NUNCA PAGAM OS PREÇOS
FAZEM OS LARANJAS BANCAR

ELES ESCULPEM AS SUAS CARREIRAS
EM FORMAS LONGAS E ETERNAS
EM BOLSOS GRANDES AS CARTEIRAS
ABREM PORTAS E PASSAM PERNAS

NUM DISCURSO REPLETO DE CURVAS
ULTRAPASSAM OS LIMITES DO BEM
DESVIAM SAGAZES DAS PERGUNTAS
SEGUINDO A LEI DO TER E DEIXAR SEM

ACHAM QUE NÃO SÃO ASSASSINOS
TIRAR DO OUTRO É APENAS COMPETIR
DE FATO OS SENHORES DOS DESTINOS
ELIMINAM O DIREITO DE COEXISTIR

votaremos só nas virtudes!
os defeitos são votos nulos!
não sabemos das verdades!
corrupção e fraude são chulos? 

sexta-feira, 11 de março de 2016

Vidas úteis

REUSO
REDUZO
ME RECUSO  A METADE GASTAR
RECICLO
REVISITO
O FIM VEM DEPOIS DO FIM QUE SE

nenhuma criança quer morrer
na primeira doença que tiver
e o plástico foi feito pra durar

o mundo PRECISA  DE oportunidade
sem precisar de nenhum milagre
a jarra d'água vira garrafa de vinho
e o pão representa a transformação 
E a vida em outro caminho


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Necrópole

cidade dos mortos
escondendo os nossos
de cruzes eretas
cabisbaixas setas
apontando os ossos

cheia de desabitantes
penados visitantes
de flores em mãos
pra matar nos vãos
cheiros degradantes

crucifixos no prumo
velado supra sumo
num preto básico
disfarce do casco
podre como humo

desnivelados corpos
sem brindar copos
já não mais fingem
já não se tingem
como vivos engôdos



sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Fora dos muros

a verdade dentro da minha cabeça
não está dentro da minha cabeça
a minha cabeça é algo com cabelos
e os cabelos são o que se espera deles

o parâmetro foi combinado
foi colocado no dicionario
mas a minha cabeça insiste
penso que começo a perder os cabelos

lutamos para conhecer a verdade
lutamos contra o que criamos
levantamos um limite do saber
que se ajusta ao que queremos saber

a procura continua
como cabelos ao vento