terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Pedido depois da vida longa

nem a urna funerária
nem as flores mortas me servem
nem mesmo a tumba serve de vaso
pois já nada planto para crescer

me marquei com a raiva
e isso prova que vivi
vivi magoado
e me sentia vivo
foram mil e doze dores
e duas mil e dezessete alegrias

soltei gargalhadas a mais
sendo assim posso pedir risos in memoriam

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Bem humano

digo isso pra ouvir aquilo
agrido mesmo sem grito
mesmo sussurrando
me distraio feliz
com outra pessoa
mas estou me procurando

admito por fora
o que por dentro me mata
vou acumulando
melhoro a cada dia
as horas eu conto
os minutos me descontando

nem entendo a dor
nem a troca da abelha
e da flor
nem sei sentir
sem pensar no QI
me sinto bem humano

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

O distraído

O distraído não sofre
Somente sofre a morte
Sem saber

Saber é morrer antes
Perecer no pensar
Apodrecer

O distraído não sabe
Só sabe que a sorte
É leveza do ser

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A paciência que cura

Ah, meu couro cheio de balas
de raspão passa a minha sorte
eu que acredito em destino
sei que acreditar nada muda
nem trajetória, nem história,
e como mudar de couro
só se aplica às víboras,
uso o meu lento veneno
e me lambendo me curo.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Mais um erro

vou errar amanhã
ainda hoje
ou dentro de poucas palavras

vou tentar conviver comigo
até acertar o meu próprio umbigo

você já pode ir
sem olhar pra trás
não há momento certo

estou cansado de errar
o meu erro só existe
por você existir
pra julgar