segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Você pode ser

pode ser dor
desde que tenha fim
algo como a saudade

pode ser lenta
e escorrer como lágrima
de alegria

pode ser falso infarto
de coração disparado
parado na garganta

pode ser ansiedade
que vira saciedade
ao te ver

pode ser qualquer pessoa
que eu já sei 
que a única é você

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Sede de respostas

engolir o que está fora do copo
é mais seco
chegar até o fundo do poço
é amargo
o fundo do copo de rabo de galo
é distorcido
a água não pode lavar tudo
é apenas uma resposta clara

dureza não é ser incapaz de voar
dureza é se achar preso à terra

o rótulo da garrafa não diz tudo
o conteúdo não condiz com a sede
você solta a língua e tudo diz
e a memória insiste na realidade

secura não é ser incapaz de beber
secura é achar aridez na resposta

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O limite da pessoa

Melhor tirar da pessoa a melhor palavra
Cruzar com a pessoa o melhor olhar
Perceber até onde a pessoa é boa
Seja a pessoa humana até onde for bom humanizar

Um limite é um grito
O chão é a falência
A intriga é fria seringa
Que tira a peçonha da pessoa
De onde até não se sabia
Um potencial é um mal
Se espreita escondido
Armado o ser é desalmado

O que resta da pessoa
Depois de ser testada
É pouca coisa boa
É uma careta enrugada



quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Vida de músico

nota destilada
entre o copo e o acorde
rabisco no papel
um gole que bata forte

dose distorcida
faz até gemer a voz
aquece aquela dor
tira o melhor de nós

tudo que é afinado
consola o coração
até guitarra tem ressaca
com solo ou não

a vida de músico
um vampiro pela noite
o álcool embeleza
alma nua no holofote

um brinde 
um blues
um brandy
um bis