segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O limite da pessoa

Melhor tirar da pessoa a melhor palavra
Cruzar com a pessoa o melhor olhar
Perceber até onde a pessoa é boa
Seja a pessoa humana até onde for bom humanizar

Um limite é um grito
O chão é a falência
A intriga é fria seringa
Que tira a peçonha da pessoa
De onde até não se sabia
Um potencial é um mal
Se espreita escondido
Armado o ser é desalmado

O que resta da pessoa
Depois de ser testada
É pouca coisa boa
É uma careta enrugada



quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Vida de músico

nota destilada
entre o copo e o acorde
rabisco no papel
um gole que bata forte

dose distorcida
faz até gemer a voz
aquece aquela dor
tira o melhor de nós

tudo que é afinado
consola o coração
até guitarra tem ressaca
com solo ou não

a vida de músico
um vampiro pela noite
o álcool embeleza
alma nua no holofote

um brinde 
um blues
um brandy
um bis

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Editor do passado

saudade é boa no fim
gente fica bem abraçada
foto boa é na hora
intervalos são desencontros

quero te ver de novo
com o rosto velho de antes
sem novidades que corrijam
o que eu sentia que era certo

quero tudo de novo
tão velho quanto possível
viver a ilusão de voltar
as pessoas passadas que fomos

eu não era feliz
e não sabia
eu filtrei as verdades que doem
hoje sou editor do passado 

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Presente de aniversário (14/05/73)

nem mesmo os números são exatos
eles se dividem em decimais
e se a conta não fecha em vida
não podemos dar o troco redondo

14 ouvi dizer que dá 05
05 ouvi dizer que é depressão
73 dá 10 ou 05 duas vezes
e não neutraliza o meu 05

não vou me deprimir por isso
não penso matematicamente
sou do contra ou sou noves fora
se me querem deprimido
não vou me matar de forma clássica
a própria vida vai dar cabo de mim