quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Vida de músico

nota destilada
entre o copo e o acorde
rabisco no papel
um gole que bata forte

dose distorcida
faz até gemer a voz
aquece aquela dor
tira o melhor de nós

tudo que é afinado
consola o coração
até guitarra tem ressaca
com solo ou não

a vida de músico
um vampiro pela noite
o álcool embeleza
alma nua no holofote

um brinde 
um blues
um brandy
um bis

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Editor do passado

saudade é boa no fim
gente fica bem abraçada
foto boa é na hora
intervalos são desencontros

quero te ver de novo
com o rosto velho de antes
sem novidades que corrijam
o que eu sentia que era certo

quero tudo de novo
tão velho quanto possível
viver a ilusão de voltar
as pessoas passadas que fomos

eu não era feliz
e não sabia
eu filtrei as verdades que doem
hoje sou editor do passado 

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Presente de aniversário (14/05/73)

nem mesmo os números são exatos
eles se dividem em decimais
e se a conta não fecha em vida
não podemos dar o troco redondo

14 ouvi dizer que dá 05
05 ouvi dizer que é depressão
73 dá 10 ou 05 duas vezes
e não neutraliza o meu 05

não vou me deprimir por isso
não penso matematicamente
sou do contra ou sou noves fora
se me querem deprimido
não vou me matar de forma clássica
a própria vida vai dar cabo de mim

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Deixando a morte no asfalto

Um motor potente de fato
só me faz comer asfalto
sem degustar a paisagem.
Minha única pressa
é de chegar lá no topo
para parar e observar.
Onde o ar é rarefeito;
onde tudo é mais lento;
onde até a morte perde o fôlego.