quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Pôr-do-sol betacaroteno

Em qualquer lugar, há pôr-do-sol,
mas só pra quem olhar
Em todo lugar, uma cortina de pó
encobre o sol como peneira
Porque aqui na Terra existe a mão do homem
que queima todos os bens pela raiz
E ainda não se sentindo feliz,
tenta encobrir o céu, o sol
Invade com lixo o espaço sideral
e o espaço digital
Que serve de adubo pra imaginação
de um mundo melhor
Mas que não ajuda em nada a cenoura
que só quer um chão pra crescer enquanto espera
Ouvindo música transgênica
no ar


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A cor do sorriso


Apenas um sonho

Um sonho pode começar com algo simples,
e eu vejo o seu reflexo numa taça de sorvete,
se eu tiver apenas seis anos de idade.

Um sonho pode ter a ambição em grande medida -
vinte pés de uma lancha ultra moderna -
se eu for um clássico sonhador de camisa listrada.

Uma fazenda para alimentar o meu falso sossego,
e o sonho de carnívoros alheios ao agronegócio,
se sou criador de dores de cabeça minhas e do gado.

Uma viagem ao redor desse mundão sem umbigo,
sem querer saber do meu mundo, meu país,
se eu quiser fugir de mim, sem saber de onde vim.

Um bilhete premiado pra se tornar qualquer coisa,
pra chegar fácil a qualquer lugar, sem pensar,
se sem pensar eu usar o dinheiro só como dinheiro.

Um sonho de conhecer alguém que mude tudo,
um risco grande de perder quem eu sou,
se eu, suicida emocional, tiver prazer em ser perdedor.

Um sonho não pode ser uma fixação que cega,
que nega outras realizações do caminho,
se eu, fútil megalo maníaco ou pobre de espírito, for.

Um sonho pode ser apenas o gozo de agora,
e mesmo que venha a morte súbita logo após,
se for o único orgasmo, foi real, em vida.