terça-feira, 18 de setembro de 2012

Relacionamento virtual com vocabulário impróprio

O amor está na tela
Corações sem entrada USB
Fotos expressivas em pixels cubistas de webcam
Ou uma plástica de bisturi photoshop

Uma química entre dedos e teclado
Me adiciona um pouco de sal
Pra que você possa me curtir

O velho jogo da velha tem nome novo
E o nosso caso já tem mais de mil tweets
Apesar de adorar o seu perfil
Eu nunca te vi frente à frente

Um dia você apareceu todo popup
E ganhou lugar na minha fan page
Então não podemos deixar cair a conexão

E aquele spam de aumento de pênis
Talvez um dia ainda sirva pra que eu possa fazer
Um plug-in você à distância

domingo, 16 de setembro de 2012

Vaidade feminina



Se um pêssego fosse fêmea, ele acharia que a sua pele é tão áspera quanto a casca de um coco.
Mesmo se tivesse os cabelos macios como os pelos da chinchila, as mulheres se sentiriam como capivaras.
Mesmo se os seus cílios formassem arcos negros como a crista de um mutum, elas continuariam usando rímel.
Sofrendo torturas de açougue num salão de beleza para ter menos pelos, menos cutículas, menos volume no cabelo, mais e mais assuntos.

Elas querem seios de ninfa, seios maiores, arrebitados ou mais unidos.
Pernas mais longas, mais grossas, mais lisas ou mais finas.
Lábios carnudos, com mais cor, menores ou mais provocantes.

A vaidade feminina ou a sua eterna procura por defeitos são apenas uma desculpa para que elas ouçam cada vez mais elogios dos homens, seres cegos a toda essa variedade da natureza, que só sabem enxergar a simples e feminina beleza.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Acredito em tudo

Vamos lá! Já podem sair daí de trás!
Eu acredito em vocês!
Sei que os aviões não param pra trocar de pneu, então aquela luz no céu só pode ser um de vocês!
Ninguém na fazenda deu trança na crina dos cavalos, então só pode ter sido você!
Você sempre me indica a trilha certa no meio da mata! Sim, você!
Eu sei que nenhum de vocês quer estragar a magia do mistério, mas eu acredito em vocês...
Será que eu não tenho crédito por acreditar?

Coletânea









quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Pontos de vista

O garoto entra em uma loja de artesanato e decoração com a mãe.Ela queria comprar almofadas para o novo sofá que havia adquirido.Pede para que ele espere perto da porta.Assim que a sua mãe se afasta, ele ouve uma voz feminina:
"Já falei pra você não mexer nas coisas que não são suas!Você tem que aprender a olhar só com os olhos!"
A mulher que acabara de dar bronca no filho, se vira para uma vendedora e pergunta o preço de algo com a maior meiguice do mundo.O filho resmunga algo e se aproxima batendo os pés no chão do garoto na porta da loja.
"Não fica brabo com a sua mãe!"- diz o garoto da porta.
"Como assim? Ela pode mexer em tudo aqui e eu não!"
"Os adultos são assim mesmo: cheios de regras!"
"É...Por que você usa esses óculos escuros?"
"Chega mais perto que eu te mostro!"
Ao se aproximar, ele viu as mãos do menino da porta subirem tateando os seus braços até chegarem ao seu rosto e, levemente, começarem a acariciá-lo.Primeiro em volta da sua boca, depois o nariz, ao redor dos olhos e finalmente o cabelo.Parou repousando as mãos nos ombros do menino que havia tomado a bronca, e disse:
"Essa é a regra pra mim: eu posso ver tudo, mas tem que ser com as mãos!"

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Pensando alto

Qualquer amostra de pele
como o frio nu a ser coberto pela manta
deseja-se o que não se tem
desejar o que se tem é sofrer entre gozos

Os corpos são imãs
os olhos não são de ferro e olham
não se enferrujam
nem o fogo dos corpos
nem o néctar que os molha
mas tudo começa nos sonhos 
cobertos pelas roupas