quarta-feira, 22 de junho de 2011

Certos dias

Minha parceira de trilha

Um dia eu estava saindo do meu condomínio a pé, quando vi um mendigo sentado na calçada.Ele tinha umas quatro ou cinco bananas, e quando eu  estava passando ele me ofereceu uma.
Uma outra vez, quando eu estava no jardim do meu prédio, uma garotinha se aproximou.Ela começou a falar de vários assuntos, e todos os comentários que eu fazia, ela respondia à altura.Fiquei espantado com a precocidade dela e mais ainda quando me disse que só tinha quatro anos.Quando ela me perguntou qual era o meu apartamento e eu apontei uma janela com um pano pendurado no parapeito, ela me veio com essa:
"Foi a sua 'marida' que pendurou aquele pano?"
Certa vez, num show no Vale do Anhangabaú, um morador de rua começou a conversar comigo.Não lembro como a conversa se iniciou, mas durou algum tempo.Um amigo que estava junto me disse pra não dar atenção a ele, pois devia ser só um louco.Mas eu continuei ouvindo o sujeito enquanto ele me contava sobre a sua situação.Ele era inteligente e tinha estudo.No final da conversa, ele me deu um chaveiro que ele mesmo fazia com um trançado de cordas.E não me pediu nada por isso.
A cidade de Bueno Brandão, em Minas Gerais, é repleta de cachoeiras.Fiz uma das muitas trilhas que lá existem pra chegar em uma delas.Como não é um lugar lotado de turistas, tive a sorte de chegar à cachoeira e estar sozinho.Quero dizer, eu era o único ser humano ali.Mas logo vi que tinha a companhia de uma cadela.Ela se aproximou e eu dividi meu lanche com ela.Fiquei por ali, nadei, apreciei a paisagem, e ela junto.Quando achei que já tinha dado a hora de voltar, me despedi dela e comecei a trilha de volta.E ela começou a me seguir.E me seguiu pelos sete quilômetros de trilha até a cidade!
O que essas histórias tem em comum?
Acho que todo dia tem algo especial.Nem que seja encontrar um bombom perdido numa gaveta.Mas acho que alguns dias são mais mágicos do que outros.

terça-feira, 21 de junho de 2011

A lenda do guaraná

Quando se pensa em mitologia, logo todos pensam em mitologia grega.Mas muitos povos tem a mitologia como parte da sua cultura.Eis um exemplo brasileiro.
Na tribo dos Maués, no Amazonas, havia um casal muito querido por todos.O casal era feliz, porém mesmo depois de muitos anos juntos, não conseguiam ter um filho.Resolveram, então, pedir ajuda a Tupã, o deus dos deuses.
Depois de alguns meses, nasce um belo curumim, muito saudável, e que alegrou a tribo.O menino foi crescendo e era muito querido por todos.
Mas Jurupari, o deus da escuridão, começou a sentir muita inveja do curumim e do casal, tão admirados por todos.Ele, então, se transformou em uma cobra venenosa e ficou esperando uma oportunidade.Quando o menino se afastou sozinho na mata ele deu o bote.Ao encontrarem o curumim já era tarde demais.Ele estava morto.
Aos prantos, os pais da criança começaram a ouvir a voz revoltada de Tupã, em forma de trovão:
"Enterrem os olhos do curumim!"
Como bons índios que eram, os pais do menino obedeceram as ordens de Tupã.
No lugar em que  plantaram os olhos dele, nasceu uma planta cujos frutos pareciam olhos humanos.Nascia o guaraná, uma planta energética para os guerreiros e que fortalece os doentes.
Até hoje, em Maués no Amazonas, o festival do guaraná é uma comemoração muito importante.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O escritor

Logo após o café da manhã, é quando ele gostava de escrever.Sentava com as costas apoiadas na cabeceira da sua cama, papel e caneta na mão, e escrevia.Sim, ele escrevia da maneira mais pessoal possível: à mão.Era um romântico, e caso ele tivesse um computador pra escrever, talvez não o fizesse só pra não perder esse seu lado.
Já fazia mais de dois anos que ele se dedicava àquelas páginas.E a sua maior inspiração era a sua musa.Escrever sobre ela, era uma maneira dele se libertar.Além disso, ela não era nenhuma musa imaginária.Morava longe, mas existia.Então, por causa da distância os encontros eram raros e o que ele escrevia acabava tomando a forma de um diário.
Na sua história, ela era como uma princesa que sonhava com um príncipe.E isso não era imaginação dele; ela realmente tinha expectativas em relação ao seu homem.Apesar dele saber que não era nenhum príncipe encantado, ele queria fazê-la feliz e escrevia sobre o "palácio" que os dois um dia construiriam juntos.Nessa "auto biografia para o futuro", tudo funcionava bem e erros do passado não voltariam a acontecer.Tudo pra agradar a princesa que sonhava com filhos, com um vida nova junto ao lado do seu escritor e o sentimento de felizes para sempre no seu palácio.
Mas isso teria de esperar mais quatro anos, trocando cartas, até que ele saísse da prisão.

sábado, 18 de junho de 2011

Lampião

"Eu me chamo Virgulino Ferreira Lampião,
Manso como um cordeiro, brabo como um leão,
Trago o mundo em rebuliço,
Minha vida é um trovão."

*Anúncio feito por Lampião quando se apresentava

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Frases que poderiam se tornar célebres

-O segurança se sente meio inseguro sem o terno preto
-Ser homossexual não é frescura
-Pra lidar com animais é preciso ser muito humano
-Nem todo músico leva a vida na flauta
-Nenhum astrônomo se contenta em ser o melhor desse mundo
-A cozinheira saiu pra almoçar
-O psiquiatra acha uma loucura o trabalho do esquadrão anti bomba
-O mágico sumiu sem dar nenhuma explicação
-Aquele taxista dirige muito bem mas anda meio distraído
-Investir em um carro com o motor fundido não leva a lugar algum
-Aquela cabeleireira mexeu com a minha cabeça
-A mãe do árbitro era colega de trabalho da prostituta

Acredito em tudo

Acredito no coelhinho da Páscoa se ele conseguir me explicar porque um ovo de chocolate custa várias vezes mais do que uma barra de chocolate com o mesmo peso.
Acredito em ETs que não fujam dos papparazzi.
Acredito em notas falsas de Real.Só que acredito mais em notas falsas de Euro.
Acredito em Papai Noel se ele me convencer que as renas realmente voam.
Acredito em gnomos que amam a terra, mas que não sejam seguidores de corruptos do MST, como o José Rainha.
Acredito na inocência dos pedófilos de até 3 anos de idade.
Acredito que bêbado perca a memória.E a vergonha também.
Acredito que mulher que não dá, voa.Essas te levam às nuvens.
Acredito em qualquer afrodisíaco ministrado por uma top model.
Acredito em qualquer político que me prove todas as anteriores.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Modo de falar

Existem certas coisas que muita gente fala e que soa muito mal.De propósito ou não, acho que essas coisas deveriam ser repensadas antes de serem ditas.
Alguns religiosos (ou religiões) dizem que devemos ser tementes a Deus.Isso quer dizer que devemos ter medo de Deus, o que é uma contradição, já que o deus pregado por estas religiões é generoso e justo.Se quisermos adorar a Deus devemos respeitá-lo e não ter medo, pois são coisas diferentes.
Já ouvi alguém dizendo que quando se chama uma pessoa ou algo de baiano, é só por que na Bahia é normal ser extravagante.Não, não é isso.Quando você chama alguém de baiano, a sua intenção é pejorativa, você quer ofender, criticar.Tudo que é considerado ridículo- fora da Bahia, é claro- é chamado de baiano.Isso é injusto e preconceituoso.
Ninguém deveria usar a expressão "escolha sexual", mesmo porque ninguém escolhe ser homossexual ou heterossexual.A pessoa nasce com tendência, assim como alguém nasce com tendência a ter mais ou menos pêlos no corpo.Não dá pra representar um papel a vida toda, do tipo: "Ah, agora decidi que vou ser lésbica!"Ou você é ou não é.Também não tem nada a ver com educação como prega o deputado Bolsonaro, representante da "extrema ignorância direita".
Quando se pensa em esporte, o que vem a mente é algo saudável.Então, como é que pode existir algo como "caça esportiva"?Como é que matar pode ser saudável?Os animais caçados, com certeza, discordam da expressão.
Melhor pensar antes de falar certas coisas...